Archive for the ‘Entrevistas’ Category

Charutos – 40 Anos de Menenedez & Amerino

7 de junho de 2017

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Os charutos baianos sempre tiveram uma excelente reputação de qualidade no Brasil e em outros países. Uma das marcas nacionais que faz parte desta história é a Menendez & Amerino que produz os charutos Alonso Menendez e Dona Flor. Fundada em 1977 a marca completa 40 anos e lança uma edição comemorativa para celebrar a data. Um de seus fundadores, o cubano Félix Menendez esteve em São Paulo para este lançamento e concedeu uma entrevista exclusiva para Gosto.

Como vê a evolução do tabaco no Brasil nestes últimos 40 anos?

Quando começamos existia a Suerdieck que foi a maior empresa plantadora e produtora de charutos no Brasil. Depois surgiram vários outros produtores que também fecharam as portas.

A produção de fumo caiu drasticamente e a variedade de tabaco Mata Norte está desaparecendo. A variedade Sumatra que era plantada pela Suerdieck também não é mais produzida, mas temos a variedade de tabaco Connecticut e Cubano que está indo muito bem.

Posso dizer que hoje em dia o Brasil está produzindo ótimas variedades de tabaco para capa e o fumo cubano esta melhor que a variedade Mata Fina.

E quanto a elaboração do charuto?

Muita coisa mudou, no inicio tínhamos um formato panatela que não produzimos mais, um Double Corona que hoje quase já não tem mais mercado além do surgimento de outros formatos que ganharam apreciadores como o Robusto e mais recentemente charutos com diâmetros cada vez maiores.

Quando decidimos criar a Menendez & Amerino optamos pela cidade de São Gonçalo dos Campos que não tinha nada ligado ao tabaco. Treinamos toda nossa mão de obra praticamente do zero e hoje em dia temos torcedoras que são filhas de nossas primeiras funcionárias.

Do que você mais se orgulha neste 40 anos de Menendez & Amerino?

Não tenho apenas um fato só, acho que a historia toda é muito bonita. Começamos produzindo um charuto chamado El Pátio que levava apenas variedade Mata Fina, depois começamos a utilizar a variedade Sumatra e surge o Amerino. Com a entrada da variedade Connecticut surge o Alonso Menendez e por último Dona Flor com tabaco Mata Norte.

Sempre procuramos utilizar as melhores variedades e melhores folhas para a produção de nossos produtos. Esta evolução é uma das coisas que mais me orgulho de ter feito.

E para o futuro o que gostaria de fazer?

O consumidor de charutos esta sempre avido por novidades. No entanto temos uma oferta limitada de variedades de tabaco. Para capa temos Sumatra, Connecticut, Cubano e  Mata Fina e para miolo Mata Fina

Gostaria muito de ter acesso a outras variedades de tabaco para oferecer outras possibilidades de blends diferenciados. No entanto encontramos barreiras tarifarias e outras regulamentações do governo que impede a importação de outras variedades de tabaco com medo de pragas, fungos e insetos.

Tentamos trazer a variedade Cameron para fazer testes mas não conseguimos. Por isso gostaria que num futuro próximo ter acesso a outras variedades de tabaco pois no momento a única coisa que podemos oferecer são charutos com bitolas diferentes.

Para você qual é a melhor harmonização de charutos e bebidas?

Sabe que essa não é muito a minha praia, na minha opinião isso depende do gosto de cada um. Para mim a melhor combinação é a de whisky e charutos. Gosto muito de Blended Whisky da linha Johnnie Walker. Ai a cor vai depender da celebração, se for algo muito importante pode ser mais escuro, para o dia a dia pode ser algo mais vermelho.

O perfil do consumidor de charutos brasileiro mudou muito nestes últimos 40 anos?

Sim e muito. Com o aumento da oferta de charutos no mercado que antigamente não existia ele vem cobrando da indústria como um todo uma qualidade cada vez maior no produto final.

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Gostaria que você falasse um pouco mais sobre este lançamento o Toro Reserva Especial criado para a comemoração dos 40 anos da empresa.

Este charuto leva semente cubana e foi produzido em pequena quantidade. Optamos por comprar capa, capote e miolo de armazenistas de tabaco da região pois para nós é muito mais interessante comprar a quantidade e qualidade que queremos do que produzir tudo.

São apenas 200 caixas com 20 charutos feitos por uma única torcedora que trabalha na empresa a muito tempo. O tabaco utilizado foi armazenado durante três anos e depois da elaboração do charuto deixamos ele descansando por mais um ano.

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Portal Difford’s Guide

15 de março de 2017

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Simon Difford, um dos mais renomados e respeitados especialistas em coquetelaria no mundo, está no Brasil para lançar sua plataforma internacional sobre o universo de cocktails o Difford’s Guide.  O projeto que já possui sites nas línguas inglesa e grega, agora terá um domínio em português e contará com textos traduzidos e conteúdos exclusivos produzidos por profissionais do Brasil.

A proposta do site, que já ganhou o prêmio de melhor publicação sobre coquetelaria no Tales of Cocktails, é oferecer aos consumidores mais exigentes informações detalhadas para ajuda-los a ter as melhores experiências que envolvam o universo da coquetelaria, por meio de produção de conteúdo (artigos, guias, eventos, promoções), e experiências offline (degustações, harmonizações, visitas guiadas, clube de fidelidade e outros). Algo inédito no Brasil.

A idéia é oferecer ao Brasil uma plataforma de experiências exclusivas que fomente a coquetelaria no país. O site brasileiro lançado em março, já oferece mais de duas mil receitas traduzidas, incluindo criações do próprio Simon, além de histórias de coquetéis, entrevistas com bartenders e grandes personalidades. Confira o conteúdo em: www.diffordsguide.com

Entrevista com Kennedy Nascimento

10 de setembro de 2015

Kennedy Nascimento_cr+®ditos Henrique Peron (8)

Com apenas 22 anos ele é um dos bartenders mais promissores do pais. Kennedy Nascimento desde criança observava seu pai trabalhando no bar que a família possuía em Ribeirão Pires. Foi com esta lembrança que tomou gosto e respeito pelo universo das bebidas. Com vários cursos de especialização já passou por bares como MyNy Bar, Epice e Beato. Atualmente faz parte do Grupo Vegas, como gestor de bares e bebidas de casas como Riviera Bar e Z Carnicería.

Meses atrás recebeu o título de melhor bartender do Brasil pelo DIAGEO World Class Brasil e também melhor da América Latina pelo DIAGEO World Class Latin America.  Semana passada representou o Brasil na Africa do Sul na etapa final do World Class e me recebeu no Riviera Bar para conversarmos sobre esta experiência.

Alem do titulo de campeão do World Class Brasil você ganhou o Latin America no Boot Camp realizado no Panamá. Como foi este campeonato?

O Boot Camp é um treinamento com todos ganhadores do World Class da America do Sul e Central para treinar e aumentar as habilidades com objetivo de fazer uma ótima apresentação no mundial. Treinamos várias provas que serão realizadas no campeonato e no final eu fui o campeão.

E a final. Como foi? Quais foram as provas?

Éramos 54 competidores e tivemos várias provas como Dia e Noite (um coquetel para cada período), Against the clock (desafio contra o relógio 10 drinks em 10 minutos), Around the World (criar um ritual para representar um drink de seu pais), Retro/Disco/Future (um drink para cada era) e Street Food Jam (harmonização drinks com comidas). Cada desafio contava pontos e os seis melhores foram para final. Ai eles tinham que criar um Pop Up bar em 24 horas com 500 dólares praticamente do zero.

Qual foi a sua maior dificuldade no concurso?

Tempo de preparação entre o campeonato no Brasil e o Mundial e idade. Não vejo como dificuldade mas meu objetivo foi mostrar meu trabalho sem me preocupar diretamente com o título. Estava lá para aprender e ganhar experiência. Queria conhecer o World Class, jurados e competidores

Como você viu o nível dos competidores da America Latina e do resto do mundo?

Em termos de criatividade muito bom, mas acho que falta um pouco mais de técnica na elaboração do coquetel e postura como bartender. Os demais competidores tem uma postura e técnica diferenciada talvez por que a cultura de bar na Europa e outros países esteja muito mais difundida.

Pretende tentar ganhar o título novamente?

Sim mas só daqui a alguns anos. Quero me preparar muito mais, fazer excelentes coquetéis, escolher os melhores ingredientes e trabalhar muito com o psicológico. A pressão é muito grande e temos que estar preparados para lidar com imprevistos que podem acontecer durante as provas.

Livro – Izakaya dois livros em um

21 de agosto de 2014

Diversos - Livro Izakaya

Acabei de receber o livro Izakaya de Jo Takahashi editado pela Melhoramentos. Para quem não está familiarizado com o termo Izakaya é o nome do boteco japonês onde se toma saquê acompanhado de petiscos.  Eles surgiram no período Edo, a era pré-moderna do Japão onde era comum os comerciantes experimentarem o saquê que iam comprar. Ai alguém teve a brilhante ideia de servir petiscos para acompanhar estas degustações e o costume pegou e ficou até os dias de hoje.

No livro Jo Takahashi que é arquiteto,  produtor cultural e trabalhou por 30 anos na Fundação Japão conta a história dos Izakayas no Japão e apresenta suas versões brasileiras. Alem disso o livro tem varias receitas de petiscos como o Takoyaki (Bolinho de polvo), Ika no Shôgayaki (lula ao gengibre) entre outras.

A diagramação e ilustrações são um capítulo a parte, foram feitas pela filha do Jo, Mika Takahashi e são belíssimas. Mas a parte mais legal é que boa parte do livro tem tudo que você precisa saber sobre Saque e não tinha ninguém para te explicar. Você compra um livro de bar e junto vem um de saquê. Para quem gosta de bar e bebidas é um presentão.

Drinks – Drinks Tube com Jamie Oliver

17 de abril de 2014

Drinks - Jamie Oliver Drink Tube

O You Tube tem um novo canal. O Drinks Tube que foi oficialmente lançado no dia 4 de Abril e é uma parceria da marca Bacardi com o apresentador/chef ingles Jamie Oliver.

A ideia da empresa é ter uma plataforma de vídeo semelhante ao Food Tube canal que tem 749.000 assinantes. Alem dos drinks o canal ainda vai falar de cervejas e vihos. Vale a pena dar uma passada por lá e conferir.

Link – https://www.youtube.com/user/JamiesDrinksTube

 

Diario de Viagem – Porto (Portugal) – Dia 1

20 de janeiro de 2014

Diario de Viagem - Porto (Portugal) - Dia 1

Na primeira semana de Dezembro estive em  Portugal a convite do IVDP (Instituto dos vinhos do Douro e do Porto) para uma visita a diversos produtores. Foi uma visita muito interessante por dois motivos, o primeiro é que estávamos apenas em dois jornalistas brasileiros o que facilitou muito o contato com produtores e enólogos. O segundo é que  em Dezembro já estamos no inverno europeu o que proporcionou uma visão completamente diferente do Douro que em tons de amarelo e vermelho deixaram a paisagem ainda mais bonita.

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Primeira parada Poças Junior – A sede da  empresa fica na Vila Nova de Gaia cidade ao lado do Porto onde ficam os armazéns de envelhecimento dos vinhos. A empresa  foi fundada em 1918 e tem uma grande penetração no Brasil. É uma das poucas que conheço que tem 4 distribuidores no país. É dela também o mais recente lançamento da rede de supermercados Pão de Açucar o  Club des Sommeliers Porto Ruby.

Depois de uma prova de 4 vinhos do douro e 4 Portos não pude deixar de pedir para experimentar um Poças Quinado. O Quinado é muito apreciado como aperitivo e nas regiões de climas quentes e nas antigas colônias portuguesas onde era usado como preventivo para a malária. Hoje em dia apenas duas empresas fazem o quinado, Poças e Ramos Pinto. A base para produzir o Quinado é o Porto Ruby ao qual se adiciona uma pequena dose de quinino. É ótimo se servido com água Tonica, muito gelo e uma rodela de laranja.

Mais informações – http://www.pocas.pt/

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Visita ao IVDP – A próxima parada da viagem foi uma visita a sede do IVDP (Instituto dos vinhos do Douro e do Porto). Lá pudemos fazer uma visita ao laboratório onde todos os vinhos são analisados e conhecer a famosa Câmara de Provadores onde os especialistas degustam em media 20 amostras de vinho do Porto e do Douro para determinar sua classificação.

Outro ponto alto da visita foi o almoço com Manuel Cabral presidente do IVDP onde conversamos sobre diversos assuntos, mas um especial me chamou a atenção. A preocupação de criar roteiros turísticos que se cruzem como o vinho, queijo, gastronomia e turismo geral. Desta forma na opinião dele uma viagem se torna muito mais interessante.

Mais informações – http://www.ivdp.pt/

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Quinta do Bom Retiro – Deixando o Porto para trás pegamos a estrada e fomos em direção ao Douro. Destino: Quinta do Bom Retiro uma das sedes do produtor Ramos Pinto. Quinta é como os portugueses chamam a área de produção vinícola, é como se fosse uma fazenda ou sítio aqui no Brasil independente do tamanho da área plantada.

Quem estava a nossa espera era Jorge Rosas, bisneto de Antônio, irmão e sócio de Adriano Ramos  Pinto que fundou a empresa em 1880. Um fato muito interessante é que por muitos anos o nome Ramos Pinto foi sinônimo de Vinho do Porto no Brasil. Até hoje ainda é possível escutar alguém dizer que vai beber um Adriano ou Ramos Pinto tamanha a ligação que a marca criou por ter sido uma das primeira a chegar ao Brasil.

Alem de uma degustação de quase todos vinhos produzidos ganhei de Jorge um dos primeiros exemplares do livro Adriano Ramos Pinto – Vinho e Arte com 400 páginas recém lançado em Portugal que conta toda história da empresa. Uma maravilha que em breve deve chegar por aqui.

Mais informações – http://www.ramospinto.pt/

Entrevista com o campeão mundial de coquetelaria Tim Philips

4 de junho de 2013

Tim Philips no Sub Astor

Semana passada  o Brasil recebeu pela segunda vez o australiano Tim Philips ganhador do maior concurso mundial de coquetelaria promovido o Diageo World Class 2012, que ele conquistou no Rio de Janeiro. Nascido em Melbourne Tim é responsável pelo bar Bullettin Place que fica na parte central de Sydney alem de viajar o mundo inteiro para divulgar o projeto World Class. Desta vez o roteiro foi Brasil, México, Porto Rico e Miami antes de regressar para casa.

Ele esteve no Sub Astor como guest bartender e apresentou quatro drinks de criação onde destaco um que tinha xarope de cherry tobacco e outro com xarope de pipoca criados por ele para aquela noite. Antes de começar o trabalho consegui uma pausa na sua preparação e fiz cinco perguntas, das quais quatro são de autoria de quatro renomados bartenders.

Tim o que mudou desde sua última viagem ao Brasil quando você ganhou o título de melhor bartender do mundo?

Acho que alem das viagens que tenho feito o fator mais importante e que me fez crescer como pessoa é ter mais consciência e preocupação com o que faço ou digo pois sei que posso ser um exemplo para muitos bartenders que estão começando.

Paulo FreitasPaulo Freitas, mixologista do Astor (RJ) – Você tem viajado muito desde o ano passado e visitado vários países. Qual deles você acha que tem crescido mais e está utilizando outras técnicas para produzir coquetéis?

 

Com certeza a China foi a que mais me surpreendeu pelo rápido crescimento talvez pelo maior contato com o ocidente ou até pela presença de consultores internacionais.

Marcelo SerranoMarcelo Serrano, do Brasserie des Arts (SP) – Qual é a sua opinião sobre os bartenders brasileiros?

 

 

Acho que tecnicamente estão no mesmo nível que os de outros países com uma grande diferença, a hospitalidade. O brasileiro é muito atencioso e simpático e faz com que todos se sintam bem vindos. Isso para nossa profissão é fundamental.

Junio WMJunior WM, bartender e pesquisador da área, responsável pelo blog Mundo
Copo – Vivemos em um mundo onde várias tendências vem e vão. Na sua opinião qual será a próxima novidade do segmento da coquetelaria?

Tendências mudam de país para país e é comum os bartenders seguirem os passos dos grandes chefes de cozinha para tentar acompanhar novas técnicas. Acredito que é importante prestar atenção na biodiversidade de cada local e na sazonalidade dos produtos. Na Austrália utilizamos muito a nectarina, uma das melhores do mundo,  que só está disponível por oito semanas e oferecemos drinks com ela durante este período. Acredito que olhar o que acontece no mundo, mas pensar localmente é uma das novas tendências.

Tony HarionTony Harion, sócio- fundador do Mixing Bar, de Belo Horizonte – Em suas viagens por diferentes países o que mais chamou sua atenção e o que você aprendeu de mais interessante?

 

Não sei se tenho uma única coisa ou apenas um país. Cada lugar que eu visito eu aprendo algo e tenho o cuidado de tomar nota disso para poder utilizar no meu bar quando volto de viagem e criar novos drinks. Uma vez no Japão quando sai de um bar o bartender me levou até o elevador e quando cheguei ao térreo ele estava lá novamente para se despedir de mim. Isso me fez melhorar muito minhas habilidades de relacionamento com os meus clientes.

Após a entrevista Tim regressou ao bar e começou a atender os clientes que faziam os pedidos. Durante uma breve pausa lancei um desafio, criar um drink com café. Veja abaixo no vídeo como ele se saiu.

Feliz 2012

29 de dezembro de 2011

 

Obrigado a todos que prestigiaram este blog durante 2011. Um ótimo ano de 2012 para todos nós.