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Cellophane or not Cellophane

3 de fevereiro de 2019
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Foto – Cesar Adames

Mas afinal para que serve este celofane no meu charuto? Se contar as vezes que já fui questionado sobre esse tema dava para encher umas dez caixas de charutos com 25 unidades.

Bom vamos lá. O celofane que embrulha alguns charutos tem as seguintes funções;

– Proteger a capa do charuto – Quando você compra um charuto e o local de venda não tem uma embalagem própria para aquele charuto solto o celofane vai proteger a capa do charuto evitando que ela quebre antes de chegar no seu umidor ou abra toda quando você acender o charuto.

– Higiene do charuto – Você tem idéia de quantas mãos pegaram aquele charuto que você comprou semana passada e estava em uma caixa aberta na sua tabacaria favorita? Pois é, imagina só se esse pessoal apertou, cheirou e outras coisas mais no charuto que você vai acender agora.

– Manter umidade interna – Se o charuto está em um umidor com temperatura e umidade controlada mesmo que dentro do celofane ele está próprio para o consumo naquele momento. Se você comprar um charuto em uma tabacaria e demorar para chegar em casa ou for viajar o celofane serve para retardar o ressecamento do charuto.

É bom deixar claro para todo mundo que o celofane não vem dos derivados do petróleo, ele não é um plástico. Celofane vem da celulose principal massa celular estrutural das plantas. Formada por monômeros de glicose ligados entre si, foi descoberta em 1838 pelo químico francês Anselme Payen, que determinou sua fórmula química.

O nome em inglês Cellophane vem da união de duas palavras, cellulose  e diaphane que significa celulose transparente. Ela pode ser obtida da madeira ou outras plantas por uma série de processos e é biodegradável.

Em 1910 o químico suíço Jacques Brandenberger foi o pioneiro no desenvolvimento do celofane para proteção de alimentos. No ano de 1927 em Tampa na Flórida o primeiro charuto foi embalado com esta nova embalagem. Em Cuba ela foi muito utilizada de 1934 até o início dos anos 90 em charutos feitos a mão e a máquina.

É interessante notar que desde 1992 os charutos cubanos não vem mais envoltos em celofane mas hoje em dia é muito difícil encontrar um off cuba que não venha embalado com ele.

O filme de celulose é a prova de água mas semi permeável, isso permite que o vapor dágua passe criando um micro clima interno onde está o charuto permitindo que ele respire e envelheça com propriedade. Alias um charuto dentro do celofane envelhece mais lentamente que um sem a embalagem. Isso permite que você decida como quer envelhecer seus charutos.

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Foto – Cesar Adames

Alguns produtores já estão fazendo embalagens inovadoras que tem áreas abertas permitindo uma melhor oxigenação do tabaco como podemos ver na foto acima.

Outra vantagem do celofane comparando com o tubo de alumínio que surgiu primeiro é que por conta da transparência é possível avaliar a capa do charuto  e sua construção sem ter que abrir o tubo de alumínio.

Mas sempre é bom ter certeza que o charuto tem boa qualidade o celofane também. Na foto abaixo temos um exemplo de celofane que ficou marrom com o passar do tempo por conta da nicotina que foi absorvida. Este charuto foi elaborado dez anos atrás e degustado na semana passada para exemplificar este texto.

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Foto – Cesar Adames

O lado de fora da caixa

21 de janeiro de 2019

Não adianta utilizar o melhor tabaco do mundo, ser produzido pelos torcedores mais habilidosos, ter uma anilha espetacular. A caixa onde estas joias vão estar armazenadas sempre é a primeira coisa que vai chamar a atenção dos nossos olhos.

Um dos casos mais clássicos são as caixas da linha tradicional dos charutos cubanos Montecristo que com seu amarelo vivo e espadas cruzadas chama a atenção de qualquer um quando exposta em uma prateleira dentro do humidor.

Por conta disso, selecionei 5 caixas a venda no mercado que com certeza irão atrair a sua atenção.

Altar Q

Altar Q é o nome dado a um dos mais conhecidos blocos retangulares de pedra esculpida recuperados no sítio arqueológico mesoamericano de Copán, atual Honduras. Produzido por Oscar Valladares Tobacco & Company a caixa traz 16 charutos no formato Toro que tem preço médio de US$ 10 cada.

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Cohiba Behike

Tem três versões BHK 52, BHK 54 e BHK 56, todas com 10 charutos. Cada vez mais difícil de encontrar o preço varia de acordo do local onde for comprado, Brasil, Cuba ou Europa.

cohiba behike

Cohiba Spectre

Lançado em 2019 este é o charuto mais caro produzido pela General Cigars. Cada unidade custa US$ 90. Este Churchill Extra é produzido com um blend de tabacos vintage e vem com 10 charutos em cada embalagem.

cohiba spectre

Las 6 Provincias By Espinosa LHB

Produzido na Nicaragua pela Espinosa Cigars traz em seu interior 4 charutos do formato Toro. É uma homenagem a Cuba e suas 6 províncias originais (atualmente são 15 e equivalem aos nossos estados). Preço  US$ 296.95 na www.coronacigar.com

las 6 provincias

Tatuaje The Bride

Produzido pela Tatuaje Cigar Inc. em Esteli, Nicaragua presta homenagem ao filme The Bride of Frankenstein de 1935. Esta embalagem tem 13 charutos que custam US$ 13 cada e são vendidos em apenas 13 tabacarias dos Estados Unidos.

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E ai concorda comigo? Se fosse incluir mais uma caixa nesta lista qual seria sua escolha? Porque?

Comprei uma caixa de charutos nas ruas de Havana. Será que ele é falso?

14 de janeiro de 2019

2019-01-14- comprei uma caixa de charutos nas ruas de havana. será que ele é falso

Semana passada recebi um e-mail de um apreciador de charutos que esteve em Cuba recentemente. Aproveito para reproduzir o mesmo na forma original.

“Prezado Cesar

Boa noite

Acabei de voltar de Cuba e gostaria de tirar uma dúvida com você.  Passei a virada do ano em Havana e acabei comprando uma caixa de charutos  Partagas Serie D No.  4, um dos meus favoritos, oferecida por uma pessoa na porta do meu hotel. Ele falou que trabalhava com o pessoal da Cooperativa de Tabaco e por isso tinha um preço especial. Realmente, paguei menos da metade do que era pedido na loja La Casa del Habano do meu hotel.

No aeroporto quase perdi a caixa por que me pediram a fatura da loja. Quando cheguei aqui e provei o primeiro achei ele travado demais e bem fraco. Nem parece um Partagas. Será que fui enganado?

Se puder me dizer o que acha agradeço.

Antonio F.”

Entrei em contato com ele e respondi na forma de alguns pontos que gostaria de dividir com todos vocês.

– Charutos na rua – Nunca compre charutos nas ruas, você não sabe a procedência dos mesmos. O verdadeiro charuto cubano só é vendido nas lojas oficiais, La Casa del Habano, outras lojas e no aeroporto.

– Cooperativa do Tabaco – Sim ela existe só que é a do roubo. Um rouba as anilhas, outro as folhas de capa, outro folhas de miolo, mais um pega a caixa vazia e entregam tudo para aquele torcedor aposentado que está em casa sem trabalhar. Ai ele faz o charuto a noite e entrega para outro tipo que é o que vai para a rua fazer a venda. Uma grande cooperativa que funciona muuuuito bem.

– Parente que trabalha na fábrica – Essa era uma versão antiga da cooperativa. Imagina se todos os parentes trabalham na fábrica? Ninguém mais vai ser garçom, taxista, recepcionista etc…

– Não tem controle de qualidade – Seu charuto pareceu travado? Claro, o simpático velhinho torcedor aposentado não tem máquina de fluxo para ver se o charuto está apertado ou com falta de fumo.

– Não parece o blend do Partagas – O pessoal da cooperativa do roubo é muito eficiente, mas pedir que roubem as folhas do blend do Partagas, a caixa original e peçam para o torcedor acertar o blend já é demais não é?

– Quase perdi a caixa no aeroporto por falta de fatura – Você deu sorte por ter comprado só uma caixa. Se tivesse comprado mais elas teriam ficado por lá. A aduana de Cuba só permite a saída de 25 tabacos sem a factura oficial emitida nas Las Casas del Habano.

– Provei o primeiro e estava travado – Fiquei curioso com o segundo, terceiro, quarto e o resto da caixa. Conseguiu fumar? Além de travados e sem o blend do Partagas tinham gosto de tabaco? Te pergunto isso por que as vezes as folhas de miolo do nosso simpático torcedor aposentado acabam e ele vai até o quintal para substituir por hojas de plátano a tradicional folha de bananeira muito comum por lá.  Aguardo sua resposta com curiosidade.

Por que alguns charutos são TÃO mais caros que outros?

3 de janeiro de 2019

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Como primeiro texto sobre charutos resolvi falar de um tema que sempre é levado em conta quando se pensa em comprar um charuto, o preço que vamos pagar.

A idéia veio quando resolvi experimentar uma edição comemorativa da marca Davidoff.

Aproveitei uma oportunidade e pedi a um amigo que estava nos Estados Unidos para me comprar uma ou duas unidade do Davidoff Diademas Finas comemorativo dos 50 anos da marca.  Para minha surpresa o valor de cada unidade era de US$ 58,50. Desisti na hora, pois por este valor poderia comprar três outros charutos de excelente qualidade.

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Algum tempo depois comecei a me questionar por que um valor tão alto por este charuto. Bom, algumas respostas já eram bem claras. É um charuto comemorativo de aniversário de 50 anos da marca, vem em um jarro de porcelana com 10 unidades cada e foram feitos apenas 8.000 jarros que totalizam 80.000 charutos. Neste caso não estaria comprando um simples charuto e sim um pedaço da história da marca. Poderia inclusive comprar, guardar, deixar valorizar e vender com uma boa margem de lucro num futuro próximo para algum aficionado.

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A compra de caixas de charutos especiais e edições limitadas ainda não é um negócio estabelecido como o do vinho e de destilados especiais onde negociantes compram o produto, armazenam e vendem com uma boa margem de lucro.

Mas o que realmente influi no preço final de um charuto. Quais são os aspectos tangíveis deste negócio?

Localização – Onde o tabaco é plantado e qual seu custo de transporte. O valor de um tabaco Cameron africano ou Mata Fina da Bahia tem um custo mais elevado de transporte do que um tabaco nativo para os produtores da Nicarágua ou Republica Dominicana.

Produção – Existem duas formas de obter o tabaco, investindo em terras e plantando ou comprando as folhas de empresas que negociam os fardos. No segundo caso quem determina o preço final é a oferta e a demanda do mercado.

Folhas de Capa x folhas de Miolo – As folhas de capa com proteção de tela para diminuir o excesso de sol e chuva custam muito mais do que as folhas de miolo que não tem proteção nenhuma por conta do alto custo do manuseio desta proteção.

Folha especial da planta do tabaco – É o caso das folhas de Medio Tiempo que ficam na parte superior da planta de tabaco, normalmente são uma ou duas folhas que aportam muito mais força ao blend do charuto. Foi com este conceito que o Cohiba Behike construiu sua história.

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Rendimento por metro quadrado – As vezes o preço do tabaco não é tão alto mas o custo de processamento e baixo rendimento tornam algumas variedades como a Connecticut uma das mais caras do mercado.

Demanda – Algumas variedades de tabaco caem no gosto popular rapidamente e o produtor não estava preparado para uma produção tão grande em um curto espaço de tempo.

Estoque – É cada vez mais difícil encontrar produtores que deixam seus fardos de tabaco envelhecer por quatro ou cinco anos. A grande maioria consome o que se coloca a venda. Para lançar edições especiais com grande tempo de envelhecimento tem que se contabilizar este custo da matéria prima parada no armazém.

Apresentação – Ai entra a parte das caixas, jarros e outras formas de apresentação. Elas valorizam muito a apresentação final do charuto mas como dizia um amigo meu “Você não fuma a caixa não é?”.

Maria Guerrero um Habano de 44 anos de idade

29 de outubro de 2018

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Tudo começou a quatro ou cinco anos atrás quando ganhei um Tubo de Aluminio do charuto Hoyo de Monterey Coronation de um amigo colecionador de puros em Havana, Cuba. Achei interessante,  pois era um charuto que  já não era mais produzido só que ele pediu para abrir e ver o conteúdo. Para minha surpresa em seu interior tinha um charuto com 12,5 cm de comprimento e cepo 40 envolto em uma folha de cedro. O charuto era um Maria Guerrero Favoritas em Cedro.

Logo me dei conta que estava com um charuto muito antigo e quis saber mais. Ele me contou que a marca foi criada em 1905 por José Rodriguez Fernández conhecido como Don Pepin e proprietário da fábrica de charutos Romeo y Julieta para homenagear a famosa (na época) cantora Maria Guerrero.

A marca sempre foi considerada irmã da Romeo y Julieta e até a Revolução Cubana tinha 25 formatos distintos, bem diferente da Romeo y Julieta que tinha 132 (hoje são 23 formatos). Depois da revolução a produção da marca caiu drasticamente sem uma explicação. Em 1968 dois modelos feitos a máquina foram lançados Bouquets e Favoritas em Cedro que deixariam de ser produzidos em 1980.  Em 1970 um formato feito a mão, o Grandes de España foi lançado  e era o único produzido até que em 1985 a marca deixou de existir.

Guardei este charuto sempre esperando uma boa ocasião para degusta-lo. Com  meu instagram chegando a 10.000 fotos fiquei pensando qual seria uma boa foto para comemorar isso. Ai veio a idéia, por que não o Maria Guerrero?

Resolvi degustar logo cedo, pela manhã, quando o paladar ainda não estava comprometido.  As primeiras baforadas demonstraram que o tabaco ainda tinha vida. Se ele começou a ser produzido em 1968 ele poderia ter 50 anos, como parou de ser produzido em 1980 poderia ter 38 anos de vida. Para ser justo resolvi fazer a média que dá 44 anos.

É muito tempo, mas o tabaco se comportou muito bem, ótimo fluxo, cinza perfeita e um gosto um pouco apagado de seu antigo sabor mas ainda presente, não era simplesmente mato seco, tinha algo ali difícil de descrever.

Meu primeiro charuto foi em 1992 quando comecei a trabalhar com Habanos. De lá para cá fumei muitos charutos e algumas dezenas de charutos com mais de 10 anos mas nunca um com tanto tempo. Com certeza Maria Guerrero ficará para sempre na minha memória.

Charuto Davidoff Chefs Edition – 50th Anniversary

2 de outubro de 2018
2018-10-02- Charuto Davidoff Chefs Edition – 50th Anniversary

Foto  – Divulgação

A marca de charutos dominicana Davidoff continua comemorando seus 50 anos.  Agora a empresa foi até as melhores cozinhas do mundo para buscar inspiração. O Davidoff Chefs Edition 50th Anniversary foi elaborado com a colaboração de cinco chefes estrelados.

Os chefes que participam do projeto são Thomas Keller (The French Laundry, Yountville, USA), Alvin Leung (Bo Innovation, Hong Kong), Klaus Erfort (Gästehaus in Saarbrücken, Germany), Heiko Nieder (The Restaurant, Zurich) e Shaun Rankin (Ormer Mayfair, London). Todos eles além de apreciar bons charutos também proporcionam ao publico experiências memoráveis com suas criações assim como a marca Davidoff.

Elaborado no formato Toro este charuto foi criado para buscar aromas e sabores dos países de origem dos chefes. Ele tem notas de pimenta de Szechuan, couro, alcaçuz e madeira de carvalho no seu inicio. Na sua metade apresenta notas de café, cominho e chocolate com um final com toques de eucalipto e pimenta. Davidoff Chefs Edition 50th Anniversary tem capa da República Dominicana, miolo Negro San Andrés do México e miolo Piloto Visus / Yamasa Visus / San Vicente Mejorado Ligero da República Dominicana e Esteli Visus  da Nicarágua.

Sua produção é limitada a 50.000 charutos que vem em 5.000 caixas com 10 unidades distribuídas pelas lojas Davidoff pelo mundo.

Charuto  Monte Pascoal Reserva da Familia

14 de agosto de 2018

2018-08-14- Charuto Monte Pascoal Reserva da Familia

Não é todo dia que a indústria brasileira de charutos tem algo novo para contar.  Ainda mais quando este algo novo tem 10 anos de envelhecimento e maturação.  Com fluxo diferenciado, saboroso, redondo e equilibrado o único double figurado nacional em Edição Limitada de 400 caixas de cedro com 7 charutos cada chega ao mercado.

O Monte  Pascoal Reserva da Familia ficou envelhecendo e descansando em sala de cedro climatizada por exatos 10 anos. Destinados exclusivamente ao consumo de seu fundador, amigos e familiares, recentemente foi oferecida a um grupo de charuteiros em uma visita a fábrica na Bahia e desde então, inúmeros pedidos chegaram as mãos de Lorenzo Orsi, que decidiu compartilhar este lote com os Amigos da marca Monte Pascoal.

Manufaturados exclusivamente com tabacos mata fina e mata norte, cada caixa contém 7 charutos em formato diferenciado, conhecido tecnicamente como “Perfecto” (anel 58 / 2,3cm x comprimento 149mm), esta bitola proporciona maior complexidade de queima, sabor mais pronunciado e delicada riqueza de aromas. Devido ao seu formato “double figurado”, sua combustão começa mais lenta e o fluxo um pouco mais apertado do que o tradicional. Esta batalha inicial é vencida após os primeiros 3 cm de queima, então o fluxo se abre com uma rica explosão de sabores e a recompensa é um charuto que evolui saborosamente a cada baforada.

Sua degustação é uma grata surpresa e o sabor final é redondo e delicado.  Os 10 anos de envelhecimento proporcionam um charuto mais saboroso, equilibrado e sua fumaça tem perfume mais suave, menos áspera e o paladar final é tostado, saboroso e bem arredondado.  Indicado aos apreciadores que buscam uma degustação diferenciada, desafiadora, com maior complexidade de queima e certamente a recompensa será um charuto único e especial. O preço médio pela caixa com 7 charutos será de R$ 390,00.

Cachaça,Café,Chocolate e Charutos – Festival Origens abre inscrições para sua 2ª. edição

28 de março de 2018

2018-03-28-Cachaça,Café,Chocolate e Charutos - Festival Origens abre inscrições para sua 2ª. edição

Idealizada para os apreciadores de charuto, a segunda edição do Festival Origens será realizada entre os dias 18 a 20 de outubro de 2018, nas cidades de Cachoeira e São Félix, no Recôncavo Baiano, a 116 quilômetros de Salvador.

O evento busca valorizar os produtos de origem baiana que proporcionam harmonização com o tabaco. A última edição do evento, no final do ano de 2017, contou com participantes de diferentes estados brasileiros

A programação completa do festival terá  três dias e oferecerá várias atividades que proporcionarão o conhecimento da cadeia produtiva do tabaco desde a semente até o charuto pronto para o consumo, feitos de forma artesanal pelas mãos das charuteiras. Serão workshops de harmonização do charuto com cachaça, café e chocolate, que juntos formam os 4 C da Bahia; degustações de bebidas artesanais baianas, visitas às fábricas e fazendas produtoras de charuto da região, passeios, além de manifestações culturais e uma culinária rica em sabores.

A escolha do local para o evento é justamento devido à história centenária do Recôncavo da Bahia na produção do tabaco, que atravessa gerações há mais de 450 anos. As características do solo, clima, história e cultura da região são os elementos fundamentais para tornar o charuto produzido nessas terras um produto de origem reconhecido por sua qualidade em todo o mundo.

As inscrições estão disponíveis no site www.festivalorigens.com.br .

Charutos – 40 Anos de Menenedez & Amerino

7 de junho de 2017

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Os charutos baianos sempre tiveram uma excelente reputação de qualidade no Brasil e em outros países. Uma das marcas nacionais que faz parte desta história é a Menendez & Amerino que produz os charutos Alonso Menendez e Dona Flor. Fundada em 1977 a marca completa 40 anos e lança uma edição comemorativa para celebrar a data. Um de seus fundadores, o cubano Félix Menendez esteve em São Paulo para este lançamento e concedeu uma entrevista exclusiva para Gosto.

Como vê a evolução do tabaco no Brasil nestes últimos 40 anos?

Quando começamos existia a Suerdieck que foi a maior empresa plantadora e produtora de charutos no Brasil. Depois surgiram vários outros produtores que também fecharam as portas.

A produção de fumo caiu drasticamente e a variedade de tabaco Mata Norte está desaparecendo. A variedade Sumatra que era plantada pela Suerdieck também não é mais produzida, mas temos a variedade de tabaco Connecticut e Cubano que está indo muito bem.

Posso dizer que hoje em dia o Brasil está produzindo ótimas variedades de tabaco para capa e o fumo cubano esta melhor que a variedade Mata Fina.

E quanto a elaboração do charuto?

Muita coisa mudou, no inicio tínhamos um formato panatela que não produzimos mais, um Double Corona que hoje quase já não tem mais mercado além do surgimento de outros formatos que ganharam apreciadores como o Robusto e mais recentemente charutos com diâmetros cada vez maiores.

Quando decidimos criar a Menendez & Amerino optamos pela cidade de São Gonçalo dos Campos que não tinha nada ligado ao tabaco. Treinamos toda nossa mão de obra praticamente do zero e hoje em dia temos torcedoras que são filhas de nossas primeiras funcionárias.

Do que você mais se orgulha neste 40 anos de Menendez & Amerino?

Não tenho apenas um fato só, acho que a historia toda é muito bonita. Começamos produzindo um charuto chamado El Pátio que levava apenas variedade Mata Fina, depois começamos a utilizar a variedade Sumatra e surge o Amerino. Com a entrada da variedade Connecticut surge o Alonso Menendez e por último Dona Flor com tabaco Mata Norte.

Sempre procuramos utilizar as melhores variedades e melhores folhas para a produção de nossos produtos. Esta evolução é uma das coisas que mais me orgulho de ter feito.

E para o futuro o que gostaria de fazer?

O consumidor de charutos esta sempre avido por novidades. No entanto temos uma oferta limitada de variedades de tabaco. Para capa temos Sumatra, Connecticut, Cubano e  Mata Fina e para miolo Mata Fina

Gostaria muito de ter acesso a outras variedades de tabaco para oferecer outras possibilidades de blends diferenciados. No entanto encontramos barreiras tarifarias e outras regulamentações do governo que impede a importação de outras variedades de tabaco com medo de pragas, fungos e insetos.

Tentamos trazer a variedade Cameron para fazer testes mas não conseguimos. Por isso gostaria que num futuro próximo ter acesso a outras variedades de tabaco pois no momento a única coisa que podemos oferecer são charutos com bitolas diferentes.

Para você qual é a melhor harmonização de charutos e bebidas?

Sabe que essa não é muito a minha praia, na minha opinião isso depende do gosto de cada um. Para mim a melhor combinação é a de whisky e charutos. Gosto muito de Blended Whisky da linha Johnnie Walker. Ai a cor vai depender da celebração, se for algo muito importante pode ser mais escuro, para o dia a dia pode ser algo mais vermelho.

O perfil do consumidor de charutos brasileiro mudou muito nestes últimos 40 anos?

Sim e muito. Com o aumento da oferta de charutos no mercado que antigamente não existia ele vem cobrando da indústria como um todo uma qualidade cada vez maior no produto final.

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Gostaria que você falasse um pouco mais sobre este lançamento o Toro Reserva Especial criado para a comemoração dos 40 anos da empresa.

Este charuto leva semente cubana e foi produzido em pequena quantidade. Optamos por comprar capa, capote e miolo de armazenistas de tabaco da região pois para nós é muito mais interessante comprar a quantidade e qualidade que queremos do que produzir tudo.

São apenas 200 caixas com 20 charutos feitos por uma única torcedora que trabalha na empresa a muito tempo. O tabaco utilizado foi armazenado durante três anos e depois da elaboração do charuto deixamos ele descansando por mais um ano.

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